Salvação do homem

quarta-feira, 28 de abril de 2010 Leave a Comment


Meditar e tornar a meditar o Evangelho do caminho de Jericó. O moribundo à beira da estrada? É o infeliz que realmente encontramos em nosso caminho, mas é, também, o proletariado oprimido, os ricos materializados, a burguesia sem grandeza, os poderosos sem horizontes, toda a humanidade de nosso tempo em todos os seus setores.


A miséria, toda a miséria humana, toda a miséria das habitações, dos vestuários, dos corpos, do sangue, das vontades, dos espíritos; a miséria dos desclassificados, dos proletariados, dos que ajuntam avaramente, dos banqueiros, dos nobres e dos príncipes, das famílias, do sindicalismo, dos “cartéis”, dos impérios.

Devemos acolher antes de tudo em nosso coração a miséria do povo. É a menos merecida, a mais tenaz, a mais opressiva, a mais fatal. E o povo não tem ninguém para preservá-lo da miséria, para ajudá-lo a sair dela. Muita gente tem dó dele, algumas pessoas o auxiliam, mas ninguém se preocupa com as causas profundas dessa miséria. Daí a ineficiência da filantropia, da assistência, da beneficência. A miséria do povo está ao mesmo tempo no corpo e na alma. Cuidar das necessidades imediatas adianta pouco enquanto as inteligências não forem alargadas, enquanto as vontades não forem retificadas e fortalecidas, enquanto os melhores não estiverem animados por um grande ideal, enquanto as opressões e as injustiças não forem suprimidas ou, pelo menos atenuadas, enquanto os humildes não se unirem para a conquista progressiva da própria felicidade.

Colocar em nosso coração e sobre os nossos ombros a miséria do povo; não a atitude de um estranho, mas como uma criatura entre outras criaturas, com as criaturas; arrastando-as para a luta comum, atirando-as ao combate pela própria salvação, ajudando-as a se elevarem na realização de um grande esforço.

Desde que a gente se mete a se preocupar seriamente, eficazmente, com a miséria, ele começa a chover em volta de nós, sobre nós. Ou então, é como uma maré montante: ela nos submerge.

Quem quiser ter muitos amigos não precisará senão pôr-se a serviço dos abandonados, dos oprimidos. Mas nada de esperar muita graditão.

O objetivo: salvar e elevar o homem. O homem todo e toda humanidade. Salvar o homem, salvar o homem na totalidade de seu ser; logo, ates de mais nada, salvar o espírito.

Engajamento é o ato do misericordioso impelido pela justiça, animado pelo amor. Não se agarrar tanto aos males, mas às suas causas.

O setor de engajamento: lá onde houver mais o que fazer, e o que se for capaz de fazer; lá onde houver menos resposta á necessidade ou ao apelo.

O que é preciso é atracar-se corpo a corpo com o mal, atacá-lo e vencê-lo.


Fonte: L.J. Lebret em Princípios para a ação, página 13-15 (adaptação)

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